Balanço: operação contra comércio ilegal de canetas emagrecedoras prende 13 pessoas e interdita 4 clínicas

A Polícia Civil da Bahia prendeu 13 pessoas, sendo quatro em flagrante e nove por determinação judicial, durante a Operação Peptídeos, deflagrada nesta quarta-feira (11). A ação é coordenada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), por meio da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), que apura a comercialização irregular de medicamentos utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

Durante a operação, foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão em Salvador, Lauro de Freitas e Camaçari, na Região Metropolitana, além de Feira de Santana, no interior do estado, e na capital paulista. As diligências também resultaram na interdição de quatro clínicas de estética.

Delegado José Marcos
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“Em Feira de Santana tivemos duas prisões e cumprimento de mandados de busca e apreensão. Foram duas mulheres presas aqui, uma no bairro do Campo Limpo e a outra no bairro Brasília. A imputação é justamente a comercialização ilegal dessas canetas e ampolas com substâncias emagrecedoras. A substância em si está sendo amplamente comercializada, não há problema nenhum, porém o comércio ilegal, clandestino, é que é o problema”, disse o delegado José Marcos, titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) em Feira de Santana.

operação
Foto: Divulgação

Nos estabelecimentos fiscalizados, foram identificados medicamentos vencidos, produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), substâncias sem autorização para comercialização no Brasil e itens armazenados em desacordo com as normas sanitárias. As equipes também constataram a manipulação de medicamentos em doses não individualizadas, em larga escala, prática permitida apenas em ambiente industrial devidamente autorizado.

Entre os materiais apreendidos estão canetas emagrecedoras, ampolas contendo substâncias diversas, medicamentos controlados e produtos utilizados em procedimentos estéticos. Também foram recolhidos celulares, tablets, notebooks, computadores, máquinas de cartão, documentos, cadernos de anotações, uma câmera de vídeo, materiais descartáveis e um veículo.

Foto: Divulgação

Todo o material apreendido será encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para a realização de perícia.

Os investigados poderão responder pelos crimes de falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, além de importar, vender, expor à venda ou manter em depósito produto sem registro no órgão de vigilância sanitária competente ou sem origem comprovada.

“Vamos buscar os fornecedores dessas pessoas e os compradores também, de quem eles compravam e para quem eles vendiam. Elas comercializam em casa mesmo, pela rede social, basicamente. Eram pessoas freelancers, pessoas físicas que faziam comercialização. Porém, em Salvador, por exemplo, tivemos comercialização em farmácias, em estabelecimentos comerciais, fazendo comercialização em larga escala”, disse o delegado.

As investigações seguem em andamento e aguardam a conclusão dos laudos periciais, que poderão subsidiar novos desdobramentos e a identificação de outros envolvidos.

“Teve em Feira de Santana, registro de algumas farmácias roubadas, onde os criminosos levaram basicamente e somente essas canetas, pelo alto valor de mercado. Então, essa ação é importantíssima que a gente está combatendo na ponta, está combatendo o mercado negro. Então, é importantíssimo para a gente inibir a ação dos roubos e dos assaltos, que com certeza expõe a vida dos comerciantes, dos balconistas de farmácia, a risco concreto de vida quando esses estabelecimentos são assaltados”, disse o delegado José Marcos em entrevista ao Acorda Cidade.

Mais de 200 policiais civis participaram da operação, com equipes dos Departamentos Especializados de Investigações Criminais (Deic); de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc); de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco); de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP); de Inteligência Policial (DIP); de Polícia Metropolitana (Depom); e de Polícia do Interior (Depin), além das Coordenações de Polícia Interestadual (Polinter), de Operações de Polícia Judiciária (COPJ) e de Operações e Recursos Especiais (Core). A ação contou ainda com o apoio do Departamento de Polícia Técnica (DPT), da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), da Diretoria de Vigilância Sanitária Municipal de Salvador (Dvis) e da Polícia Militar da Bahia (PMBA).

Fonte: Acorda Cidade