A manhã desta quinta-feira 19, foi marcada por uma das mais tradicionais manifestações de fé da Igreja Católica em Riachão do Jacuípe.
A programação começou com a a confecção dos tapetes por volta das 4:00 h da manhã, seguida pela celebração eucarística da Santa Missa (9:00 h) presidida pelo Padre José Carlos, e seguiu com a caminhada pelas ruas centrais decoradas com os belos tapetes confeccionados com criatividade e devoção, por fiéis da Paróquias Nossa Senhora da Conceição.
Os tapetes, feitos com materiais como serragem, areia, flores e outros elementos naturais, tomaram conta das ruas ao redor da Praça da Matriz, onde foi realizado o percurso da procissão. A confecção das obras contou com a participação de fiéis de todas as idades da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, que trabalharam durante toda a madrugada para deixar tudo pronto a tempo da celebração.
Corpus Christi, comemorado sempre na quinta-feira seguinte ao domingo de Pentecostes, é uma das solenidades mais importantes do calendário litúrgico católico, marcando a celebração da presença real de Cristo na Eucaristia. Em Riachão, a data é vivenciada com entusiasmo e participação popular, reforçando o papel da fé em Cristo.
Apesar de uma polêmica em torno da Prefeitura ter colocado a data do início dos festejos juninos no mesmo dia, houve a necessidade de ajustes no percurso da procissão devido ao fechamento de algumas vias, os dois eventos transcorreram de forma pacífica e organizada.
A presença de famílias inteiras, de crianças a idosos, reafirma o valor da tradição de Corpus Christi em Riachão do Jacuípe. Mais do que um momento litúrgico, a procissão se mostra um importante símbolo de união comunitária e expressão cultural, atravessando gerações e mantendo viva a fé do povo jacuipense.
Solenidade de Corpus Christi: saiba o significado do evento católico que possui datas móveis
De acordo com o sacerdote da Catedral Metropolitana de Sant’Ana, padre Paulo Tarso, Corpus Christi é a festa que celebra a instituição da Eucaristia, ocorrida na Quinta-Feira Santa durante a Última Ceia. “Naquele momento, Jesus instituiu a Eucaristia e o sacerdócio, mas a celebração da Quinta-Feira Santa está inserida no contexto da Paixão e da morte de Cristo, marcada pela dor”, explicou.
Para que a Eucaristia fosse celebrada de forma festiva e alegre, a Igreja instituiu a Solenidade de Corpus Christi no século XIII. “Foi o Papa Urbano IV, em 1264, que oficializou a festa para toda a Igreja”, relata o padre.
Segundo ele, a inspiração veio de uma religiosa belga, Santa Juliana de Liège, que teve visões de uma lua cheia com uma parte escura, representando a ausência de uma festa específica para a Eucaristia no calendário litúrgico.
A data de Corpus Christi é móvel, assim como a Páscoa, ocorrendo sempre na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade. “A festa não tem data fixa porque está vinculada ao calendário litúrgico, assim como outras datas móveis”, pontuou o padre.
Embora o Brasil tenha se destacado com sua tradição de procissões e tapetes coloridos, a festa é celebrada em todo o mundo. “É uma solenidade universal, que une a Igreja inteira na celebração do Corpo e Sangue de Cristo”, enfatizou.
“Os tapetes expressam a fé e o amor do povo pela Eucaristia. Cada grupo confecciona seu tapete com materiais recicláveis, como serragem colorida, flores, folhas e pó de serra, sempre respeitando a sustentabilidade”, disse o padre.
Os temas dos tapetes variam de acordo com cada comunidade, incluindo símbolos religiosos, campanhas pastorais e datas comemorativas.
“Não tem um tema único. Às vezes os temas se repetem. Se você observar, várias paróquias vão fazer o mesmo tema com o seu jeito, com a sua particularidade. Então, os grupos geralmente fazem a logomarca, o símbolo do grupo, do movimento. Se estamos no ano jubilar, vamos encontrar muitos símbolos, muitos desenhos, muitos tapetes reportando essa questão do ano jubilar. Então, a questão do tema não é único e não é o mesmo para todas as paróquias, mas são sempre temas religiosos, temas das campanhas que estamos vivendo, das celebrações, tem algumas paróquias celebrando jubileu de ouro, de prata, também ali é representado. Então é uma diversidade de símbolos de temas que são utilizados na diversidade vivendo a unidade com Cristo”, conclui padre Paulo Tarso. Fonte: Acorda Cidade