Mulheres são mais afetadas por infecção urinária; confira sintomas e formas de prevenção

A infecção do trato urinário (ITU) está entre as causas mais frequentes de infecção na população. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo (SBU-SP), o problema pode acometer cerca de 50% das mulheres com vida sexual ativa, entre 20 e 40 anos. Apesar de comum, o quadro exige atenção, já que, quando não tratado de forma adequada, pode evoluir e provocar complicações mais graves.

Segundo a SBU-SP, a demora no início do tratamento favorece a progressão da infecção e aumenta o risco de quadros como a pielonefrite, que ocorre quando as bactérias atingem os rins. Em situações mais severas, a infecção pode alcançar a corrente sanguínea e acometer outros órgãos, evoluindo para sepse, com risco de óbito.

As causas da infecção urinária variam, mas a maior parte dos casos tem origem bacteriana. Conforme a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a bactéria Escherichia coli é responsável por cerca de 70% a 85% das infecções adquiridas em comunidade, seguida por outros microrganismos, como Staphylococcus saprophyticus, espécies de Proteus, Klebsiella e Enterococcus faecalis.

Já nas infecções adquiridas em ambiente hospitalar, os agentes infecciosos tendem a ser mais diversificados, com predominância de enterobactérias, ainda que a E. coli também esteja entre as mais frequentes.

O diagnóstico, segundo a SBN, depende do tipo e da gravidade da infecção. Quando o quadro atinge apenas o trato urinário inferior, caracterizando a cistite, costumam ser solicitados exames como urina rotina; urocultura, considerada o exame definidor; e antibiograma. Esses testes permitem identificar a bactéria responsável e indicar o antibiótico adequado para o tratamento.

Já nos casos de pielonefrite, quando a infecção atinge os rins, além dos exames laboratoriais, podem ser necessários outros recursos diagnósticos, como hemocultura e exames de imagem, incluindo ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

A SBN reforça que a avaliação clínica é responsável por fundamentar a hipótese diagnóstica, o que faz o urologista feminino solicitar diferentes exames antes de definir a condução do tratamento. Após a compreensão da origem e da gravidade do quadro, é possível estabelecer a alternativa mais adequada.

Ardência ao urinar e aumento da frequência são sinais comuns

De acordo com o urologista, diretor-presidente da SBU-SP e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Mendes, os sintomas da infecção urinária podem variar de acordo com a região afetada.

Ele explica que nos quadros de cistites, forma mais frequente da condição, é comum a presença de dor na região inferior do abdômen, ardência ao urinar e aumento da frequência urinária ao longo do dia. Em alguns casos, pode haver dor nas costas, febre baixa e alterações na urina, como odor mais forte, aspecto turvo ou presença de sangue.

Quando a infecção atinge os rins, como na pielonefrite aguda, os sintomas tendem a ser mais intensos. O quadro pode incluir febre alta, calafrios e dor lombar, além dos sinais já observados na cistite. Em homens, embora menos frequente, a infecção pode se manifestar como prostatite, geralmente acompanhada por febre, calafrios e dificuldade para urinar.

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